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Salário de secretária de consultório médico: quanto custa

Quanto ganha a recepcionista de consultório, com dados oficiais por estado, e quanto ela custa para a clínica com 13º, férias, FGTS e INSS.

· 10 min de leitura

Profissional de jaleco fala ao telefone no balcão da recepção de uma clínica, com uma impressora e um tablet sobre o balcão

Em 2026, metade das secretárias e recepcionistas de consultório contratadas em tempo integral ganhou até R$ 1.800 por mês, e uma em cada quatro entrou pelo salário mínimo, de R$ 1.621. Para a clínica, o custo é maior: com 13º, terço de férias e FGTS, cada real de salário vira R$ 1,20 por mês na clínica do Simples, antes do vale-transporte.

Quanto ganha uma secretária de consultório médico

Secretária de consultório, recepcionista de clínica e atendente de consultório são nomes diferentes para o mesmo trabalho. Na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), do Ministério do Trabalho, todos cabem no código 4221-10, "recepcionista de consultório médico ou dentário". É com esse código que a clínica registra a contratação, e é por ele que dá para saber quanto o mercado paga.

Os números abaixo são um cálculo nosso, feito com os microdados oficiais do Novo Caged, o cadastro em que as empresas informam ao governo cada contratação e demissão com carteira assinada. Usamos as contratações de janeiro a julho de 2026 na CBO 4221-10, só em tempo integral (40 a 44 horas por semana), sem aprendiz, meio período ou contrato intermitente. Foram 39.378 contratações.

Salário na contratação (jan. a jul. de 2026) Valor por mês
Uma em cada quatro ganhou até R$ 1.621
Metade ganhou até (mediana) R$ 1.800
Três em cada quatro ganharam até R$ 1.978
Média R$ 1.862,73

A mediana é o número mais útil para quem vai contratar, porque a média sobe com alguns salários altos. Um quarto das contratações foi exatamente pelo salário mínimo de 2026, fixado pelo Decreto 12.797/2025. Em consultório e clínica odontológica, a mediana ficou em R$ 1.780; nas clínicas médicas de atendimento ambulatorial, em R$ 1.804. O tamanho da clínica quase não muda o quadro: nas que têm até nove empregados, a mediana também foi de R$ 1.800.

Um cuidado: o Caged mostra o salário de quem acabou de ser contratada, e não o de quem está há cinco anos na mesma recepção e já teve aumentos. Ele também não registra experiência nem cursos. Se a sua recepcionista mais antiga ganha acima dessa tabela, isso é esperado.

O salário muda com o estado e com o sindicato

A região pesa mais do que o tipo de clínica. No Norte e no Nordeste, metade das contratadas em 2026 ganhou até o salário mínimo. No Sul, a mediana passou de R$ 1.960.

Região Mediana Média
Norte R$ 1.621,00 R$ 1.772,39
Nordeste R$ 1.621,00 R$ 1.673,06
Centro-Oeste R$ 1.685,23 R$ 1.787,19
Sudeste R$ 1.804,00 R$ 1.903,20
Sul R$ 1.962,37 R$ 2.020,13

Entre os estados, Santa Catarina tem a maior mediana, R$ 2.106, seguida do Rio Grande do Sul (R$ 1.900), do Paraná (R$ 1.868,76) e de São Paulo (R$ 1.855,33). Minas Gerais fica em R$ 1.748,33, e o Rio de Janeiro, em R$ 1.708,64. No Distrito Federal e na maior parte dos estados do Norte e do Nordeste, a mediana é o próprio salário mínimo.

A convenção coletiva, o acordo entre os sindicatos das clínicas e dos empregados, pode fixar um piso para a recepção. Em Pernambuco, a tabela do SINDCLIN fixa, desde abril de 2026, R$ 1.739,15 na clínica médica e R$ 1.724,28 na odontologia, além de vale-alimentação de R$ 23,50 por dia trabalhado.

O piso muda conforme o sindicato e a cidade e é reajustado todo ano. Antes de contratar, pergunte ao contador qual convenção vale para a sua clínica e que benefícios ela obriga.

Quanto custa uma recepcionista para a clínica

O custo começa no salário e cresce com três obrigações que valem para qualquer clínica. No ano, a funcionária recebe 12 salários, um deles no mês de férias, mais o 13º salário e o terço de férias previsto na Constituição. São 13,33 salários. Sobre tudo isso, a clínica deposita 8% de FGTS. Dividida a conta por 12 meses, cada real de salário custa R$ 1,20 por mês.

Pelo salário mínimo, a recepcionista custa R$ 1.945,20 por mês, ou R$ 23.342,40 no ano. Pela mediana do Caged, de R$ 1.800, o custo mensal é de R$ 2.160.

Depois vem o vale-transporte. A Lei 7.418/1985 manda o empregador pagar a parte do transporte que passa de 6% do salário. Se a recepcionista ganha R$ 1.800 e gasta R$ 220 por mês em passagens, ela paga R$ 108, e a clínica, R$ 112. Vale-refeição, vale-alimentação e plano de saúde não são obrigação da lei, mas podem ser da convenção coletiva, como no exemplo de Pernambuco.

O INSS da empresa depende do regime

Aqui é preciso separar a clínica do Simples da clínica do lucro presumido ou real. A contribuição da empresa ao INSS é de 20% sobre a folha, mais o seguro de acidente de trabalho, de 1% a 3% conforme a atividade (o contador informa a alíquota exata), pelo artigo 22 da Lei 8.212. Só que a clínica no Simples Nacional não paga esse valor à parte. A Lei Complementar 123, no artigo 13, põe essa contribuição dentro do imposto único do Simples, o DAS, para medicina e odontologia, tanto no Anexo III quanto no Anexo V. A mesma lei dispensa a empresa do Simples das contribuições a terceiros, como as do Sistema S.

Na clínica do lucro presumido ou real, a conta muda. Os 20% e o seguro de acidente incidem sobre o salário, o 13º, que a mesma lei inclui no artigo 28, e o terço de férias, como o Supremo decidiu no Tema 985. Para uma recepcionista de R$ 1.800, são de R$ 420 a R$ 460 a mais por mês, antes das contribuições a terceiros, que o contador calcula pelo código da atividade.

Custo mensal de uma recepcionista Salário mínimo Mediana do Caged
Salário R$ 1.621,00 R$ 1.800,00
13º e terço de férias (a parte de cada mês) R$ 180,11 R$ 200,00
FGTS de 8% R$ 144,09 R$ 160,00
Total no Simples R$ 1.945,20 R$ 2.160,00
INSS e seguro de acidente, só no lucro presumido ou real + R$ 378 a R$ 414 + R$ 420 a R$ 460

A tabela não inclui vale-transporte e benefícios, que dependem da clínica. E o salário da recepção ainda entra na folha que decide se a clínica do Simples paga pelo Anexo III ou pelo Anexo V, a regra do Fator R, explicada no artigo sobre margem de lucro.

Quanto custam as duas recepcionistas da clínica de exemplo

No mesmo artigo sobre margem de lucro, acompanhamos uma clínica fictícia com quatro médicos, 400 consultas por mês e duas recepcionistas que custam, juntas, R$ 7 mil por mês com encargos e benefícios.

A clínica está no Simples, pelo Anexo III, então não paga o INSS da empresa à parte. Ela paga R$ 2.200 de salário a cada recepcionista, acima da mediana nacional, de R$ 1.800, e da de São Paulo, porque as duas já têm alguns anos de casa. Também dá vale-refeição de R$ 35 por dia. Esses dois valores são escolhas da clínica de exemplo, e não regra; o resto sai da lei.

Por recepcionista, por mês Valor
Salário (escolha da clínica) R$ 2.200,00
13º e terço de férias (a parte de cada mês) R$ 244,44
FGTS de 8% R$ 195,56
Vale-transporte: R$ 220 em passagens, menos 6% do salário (R$ 132) R$ 88,00
Vale-refeição: R$ 35 por dia, 22 dias (escolha da clínica) R$ 770,00
Total R$ 3.498,00

Arredondado, são R$ 3.500 por recepcionista e R$ 7 mil pelas duas, o valor usado no artigo de margem. Repare que o salário, que parece ser o custo, é só 63% do total.

Quanto custa a hora da recepção

Dividir o custo pelas horas mostra quanto a clínica paga por cada tarefa do balcão. Na clínica de exemplo, cada recepcionista custa R$ 42 mil por ano. Com 44 horas por semana e 48 semanas de trabalho, tirando as férias, ela trabalha 2.112 horas no ano. Cada hora custa cerca de R$ 20, sem descontar os feriados. Com as duas no balcão, a clínica paga R$ 40 por hora de recepção.

Falta saber quanto dessas horas vai para responder mensagem, confirmar a consulta de amanhã e remarcar quem não pode ir. Não encontramos uma medida confiável disso para clínicas. No artigo de margem, levantamos a hipótese de um terço do dia das duas recepcionistas. Se for isso, são R$ 2.333 por mês pagos por uma tarefa que se repete igual todos os dias.

Em vez de ficar com a hipótese, meça. A segunda folha do PDF deste artigo é uma semana da recepção: a cada dia, a recepcionista marca quantas mensagens respondeu, quantas confirmações e remarcações fez, quantas ligações atendeu e quanto tempo cada tarefa levou. No fim da semana, os minutos por dia em mensagem, confirmação e remarcação, vezes o custo do minuto, vezes os dias de trabalho no mês, mostram quanto a sua clínica paga por mês por essa parte do trabalho.

Esse tempo pode virar uma função inteira. Numa clínica grande, a equipe nos contou que chega de manhã com 300 ou 400 mensagens da noite e leva três, quatro horas para responder, porque responde uma e chega outra. No consultório com uma só recepcionista, o custo aparece de outro jeito: no dia em que ela falta, as mensagens ficam para o dono ou para quem estiver atendendo, entre um paciente e outro.

É essa parte repetitiva que uma assistente virtual no WhatsApp pode assumir. Ela dá a primeira resposta também à noite e no domingo. Ela agenda e manda o lembrete com pedido de confirmação, por padrão 24 horas e 1 hora antes da consulta. Quem não pode ir remarca na própria conversa. Ela não dá orientação clínica: pergunta de saúde vai para a equipe. Para ver essa parte do trabalho do lado do paciente, marque uma consulta de teste com a Maria no fim deste artigo.

A assistente não substitui a recepcionista; o trabalho da recepcionista muda de lugar. Ela fica com o paciente no balcão, o convênio que não cobre e o caso que pede uma pessoa, que chega pelo Painel já com o resumo da conversa. É o treino descrito no artigo sobre a recepcionista e no de treinamento de equipe.

Contratar pela CLT, em meio período ou como MEI

A recepcionista que trabalha na clínica todos os dias, no horário da clínica e recebendo ordens de alguém de lá é empregada. É o que diz o artigo 3º da CLT: quem presta serviço não eventual, sob a dependência do empregador e mediante salário.

Contratar como MEI. O portal do governo para empreendedores é direto: não é permitido trocar o emprego com carteira assinada pela condição de MEI, e o MEI não pode ter pessoalidade, subordinação e habitualidade com quem contrata. Uma recepcionista com horário fixo na clínica tem as três.

Meio período. Para o consultório que só precisa de alguém à tarde, a CLT prevê o tempo parcial, no artigo 58-A: até 30 horas por semana sem hora extra, ou até 26 horas com até 6 horas extras. O salário é proporcional à jornada de quem faz a mesma função em tempo integral, e a conta de custo deste artigo vale do mesmo jeito.

Insalubridade. A NR-15, no Anexo 14, prevê o adicional para quem tem contato permanente com pacientes ou manuseia objetos de uso deles que não foram esterilizados. A recepcionista que fica só no balcão e no telefone não costuma ter esse contato; a que também ajuda na sala de atendimento pode ter. Quem decide é a perícia de um médico ou engenheiro do trabalho, como manda o artigo 195 da CLT.

Como fazer a conta da sua clínica

  1. Descubra o piso. Pergunte ao contador qual convenção coletiva vale para a sua clínica e o que ela obriga além do salário.
  2. Preencha a primeira folha do PDF para cada recepcionista. No pé, saem o custo do mês e o da hora.
  3. Meça uma semana com a segunda folha, para saber quanto dessas horas vai para mensagem e confirmação.
  4. Leve os números ao contador uma vez por ano, junto com a margem da clínica, porque o regime e o Fator R mudam a conta.

Roberto Sousa

Roberto Sousa é engenheiro e empreendedor. Fundou o AgendarSaúde, que coloca uma assistente virtual no WhatsApp de clínicas e consultórios.

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