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Quanto custa montar um consultório odontológico, item a item

Preço de cada equipamento com loja e data, o que a loja não orça, CRO e licença sanitária, custos do mês, capital de giro e os primeiros pacientes.

· 9 min de leitura

Dentista de jaleco branco mostra um tablet a uma paciente sorridente sentada na cadeira do consultório

Um consultório odontológico de uma cadeira custa de R$ 55 mil a R$ 74 mil só nos oito equipamentos básicos, comprados novos, pelos preços à vista que consultamos em lojas no dia 24 de setembro de 2026. Obra, móveis, instrumental, taxas e o dinheiro para os primeiros meses vêm por fora e dependem de orçamento.

Quanto custa cada equipamento

A tabela traz o menor e o maior preço à vista que encontramos para cada item, com a loja. Na Dental Cremer, o preço à vista é o do Pix, com desconto. Preço de loja muda, e o parcelado pode sair mais caro: o conjunto da Medsystem passa para R$ 28.605,86 em 12 vezes. Use a faixa como ponto de partida e confira o valor do dia no link.

Equipamento Faixa à vista em 24/09/2026 Onde consultamos
Consultório: cadeira, equipo, unidade de água e refletor R$ 27.175,57 a R$ 34.486,90 Gnatus G1 F na Medsystem; Croma 2 F (R$ 30.167) na loja da Dabi Atlante; Gnatus G1 Fit C na Instrumental Técnico
Mocho, o banco do dentista R$ 749 a R$ 1.289 loja da Dabi Atlante
Compressor de ar de 38 a 40 litros R$ 3.152,40 a R$ 5.936 Dentemed na Dental Cremer; Dabi Atlante na loja da Dabi
Autoclave de 12 litros R$ 5.722,90 a R$ 7.089 Cristófoli na Dental Cremer; Dabi Atlante na loja da Dabi
Raio-X periapical R$ 10.960,90 a R$ 15.889 PRO-X de parede na Dental Cremer; Dabi Atlante portátil na loja da Dabi
Peças de mão: alta rotação, micromotor, contra-ângulo e peça reta R$ 1.804,19 a R$ 2.530 Kits da Schuster (R$ 1.804,19) e da Gnatus (R$ 1.939,99) na Dental Cremer; Dabi Atlante na loja da Dabi
Ultrassom com jato de bicarbonato R$ 4.849,90 a R$ 4.929 O mesmo aparelho na Dental Cremer e na loja da Dabi
Fotopolimerizador R$ 778,81 a R$ 1.900 Kondentech na Dental Cremer; Dabi Atlante na loja da Dabi
Total dos oito itens R$ 55.193,67 a R$ 74.048,90

O item mais caro, o que as lojas chamam de "consultório", é um conjunto: a cadeira, o equipo (o braço com as mangueiras onde se encaixam as peças de mão), a unidade de água com a cuspideira e o refletor. O mocho não vem junto. E a montagem também não: a loja da Dabi Atlante avisa que ela é paga pelo comprador e feita por um técnico credenciado, e que abrir a embalagem antes da chegada dele faz perder a garantia. Peça o valor da montagem junto com o orçamento.

Dois itens opcionais ficaram fora da soma. O sensor digital, que troca o filme do raio-X por imagem no computador, custa R$ 12.615 na loja da Dabi. A bomba de vácuo de 1 HP, que aumenta a sucção e atende até quatro cadeiras, custa R$ 6.169 na mesma loja.

Para equipamento usado não achamos preço com fonte. Se for por esse caminho, peça o registro do aparelho na Anvisa e confira se há assistência técnica da marca na sua cidade.

O que a loja não orça: obra, móveis e instrumental

O resto da conta não tem preço de prateleira: depende do imóvel, da cidade e do padrão que você quer, e só aparece quando alguém vem ver a sala. Pela norma da Anvisa, o consultório odontológico individual tem pelo menos 9 m², com o menor lado de 2,2 m (RDC 1.002/2025). Além dela, entram a recepção com espera, o banheiro e o lugar onde o instrumental é lavado e vai para a autoclave. O artigo sobre layout de clínica mostra como organizar esse caminho.

A obra vem antes do equipamento. A cadeira é ligada à água, ao esgoto, ao ar do compressor e à energia, e o compressor precisa de um canto onde o barulho não chegue ao paciente. Mostre a planta ao técnico que vai montar a cadeira antes de fechar o piso.

Para o resto, peça três orçamentos de cada item:

  • Obra e projeto: pontos de água, esgoto, ar e energia, piso, pintura, ar-condicionado.
  • Móveis: bancadas e armários do consultório, balcão e cadeiras da recepção.
  • Instrumental e materiais iniciais: pinças, espelhos, sondas, curetas, brocas, resinas, anestésicos, luvas, máscaras, embalagens para esterilizar.
  • Escritório: computador, impressora, sistema de agenda e prontuário.

A planilha em PDF tem uma linha para cada um, com espaço para três orçamentos. Depois da inauguração, a rotina da autoclave está nos checklists do consultório.

Consultório ou clínica: CNPJ, CRO e licença sanitária

Não é obrigatório ter CNPJ. O dentista pode atender como autônomo, em nome próprio, o que o conselho chama de consultório, ou abrir uma empresa, a clínica, como explica a cartilha do CRO-MG. A escolha muda o imposto e os custos fixos, e quem faz essa conta com você é o contador. O artigo sobre margem de lucro mostra como a folha de pagamento muda a alíquota do Simples Nacional.

Com ou sem empresa, o consultório só abre com a licença da vigilância sanitária do município, que em São Paulo vale um ano (CROSP). Se houver empresa, ela também se inscreve no CRO, com um dentista como responsável técnico. Em 2026, a inscrição custa R$ 547,15 e a anuidade, R$ 547,93 para capital de até R$ 50 mil, valores fixados pelo CFO para todos os regionais (Decisão CFO-55/2025). A empresa de um sócio só pode pedir isenção da anuidade de 2026, se o sócio for dentista inscrito e em dia (CFO).

Os custos de todo mês e o capital de giro

Depois de montado, o consultório passa a ter uma conta fixa, que chega mesmo no mês de agenda vazia. A primeira linha é o aluguel. Em agosto de 2026, o aluguel anunciado de salas comerciais ficou em média em R$ 54,23 por m² nas cidades que o índice FipeZap acompanha, e em R$ 62,34 em São Paulo. Uma sala de 40 m² sai por cerca de R$ 2.169 por mês na média e R$ 2.494 em São Paulo, antes de condomínio e IPTU.

Depois vêm luz, água e internet, contador, anuidade do CRO (R$ 547,93 por ano, cerca de R$ 45,66 por mês), materiais, laboratório de prótese, manutenção, parcelas do que foi comprado a prazo, imposto e quem atende o paciente fora da cadeira, assunto da seção sobre o WhatsApp.

A soma é o que o consultório precisa faturar para empatar. Enquanto a agenda não chega lá, a diferença sai do seu bolso, e o dinheiro guardado para cobri-la é o capital de giro. A conta não é o custo do mês vezes os meses de espera, porque a receita começa pequena e cresce: o que se soma é a falta de cada mês.

Um exemplo com números redondos, só para mostrar a conta: custos de R$ 8 mil por mês e uma receita que começa em R$ 2 mil e cresce R$ 1.500 por mês. Faltam R$ 6 mil no primeiro mês, R$ 4.500 no segundo, R$ 3 mil no terceiro e R$ 1.500 no quarto. No quinto, a receita chega a R$ 8 mil e empata. O capital de giro é a soma das faltas, R$ 15 mil, mais uma reserva para o mês que sair pior que o previsto.

Um detalhe da odontologia pesa nessa conta. Quando o paciente parcela um tratamento no cartão, o dinheiro de cada parcela entra mês a mês, a menos que você pague a taxa para antecipar. A agenda pode estar cheia e o caixa, ainda curto. Na planilha, anote a receita pelo mês em que o dinheiro entra, e não pelo mês do atendimento.

Os primeiros pacientes perguntam pelo WhatsApp

No começo, quem pode marcar com você é quem já conhece você e quem procura "dentista" no mapa do celular, perto de casa ou do trabalho. Três providências ajudam essas pessoas a achar o consultório.

  • Perfil da Empresa no Google. É o cartão do consultório na busca e no Maps, com endereço, horário, fotos, avaliações e o número do WhatsApp. O Google não cobra por ele (Google).
  • Convênios odontológicos. O credenciamento põe o consultório na lista que o paciente do plano consulta, com o valor de cada procedimento definido pela tabela do plano. Faça a conta de quanto sobra de cada atendimento antes de assinar.
  • Redes sociais dentro da regra do conselho. Antes de postar foto de caso, leia a Resolução CFO-196/2019: ela diz o que pode, e o antes e depois tem limites, principalmente para a clínica.

Todas essas portas levam ao mesmo lugar. A pessoa que achou você no mapa ou no perfil manda uma mensagem perguntando se atende sábado, quanto custa a avaliação ou se aceita o convênio dela. Uma administradora de clínica nos resumiu assim: "os clientes querem resolver tudo por WhatsApp". Nessa fase, cada mensagem pode ser um paciente novo.

Quem responde o WhatsApp enquanto você atende

No começo, o consultório pode ser só você, às vezes com uma auxiliar na cadeira. Às 10h15 chega a mensagem perguntando o preço da avaliação. Você está no meio de uma restauração, de luvas, e só vê o celular às 11h. A pessoa que perguntou pode já ter marcado em outro lugar.

Há três saídas. A primeira é responder entre um paciente e outro, o que funciona até a agenda encher. A segunda é contratar uma secretária. Em tempo integral, pelo salário mínimo de 2026, de R$ 1.621 (Decreto 12.797/2025), ela custa pelo menos R$ 1.945,20 por mês. A conta soma 12 salários, o 13º e o terço de férias, que dão 13,33 salários no ano, mais 8% de FGTS, e divide por 12. Ficam de fora o vale-transporte, o piso da categoria na sua região e a contribuição patronal, que depende do regime de imposto.

A terceira é uma assistente virtual no WhatsApp. Ela atende a qualquer hora e conversa com vários pacientes ao mesmo tempo. Agenda, confirma, remarca e responde as dúvidas sobre o consultório com o que você cadastrou: horário, endereço, valores e convênios. Por padrão, um dia antes e uma hora antes da consulta, ela manda o lembrete e pede a confirmação.

A assistente não faz o que precisa de alguém no consultório: não ajuda na cadeira, não esteriliza o instrumental e não recebe o paciente no balcão. Também não dá orientação de saúde. Se o paciente fala de dor, a conversa vai para você; numa emergência médica, ela orienta ligar para o SAMU (192) ou ir ao pronto-socorro e deixa um alerta para você no Painel. Fora do horário do consultório, você vê o alerta quando entrar. Quando o consultório crescer e contratar alguém, essa pessoa fica com o que pede gente.

O plano Essencial custa R$ 477 por mês e inclui uma agenda e 300 conversas por mês, com o custo da Meta dentro da franquia. A configuração está incluída, sem taxa de implantação. Você paga a primeira mensalidade ao assinar. No fim deste artigo, você pode escrever para a Maria como o paciente das 10h15 e ver a resposta que ele receberia enquanto você atende.

Passo a passo para abrir, na ordem

  1. Converse com um contador antes de assinar qualquer contrato: autônomo ou empresa, e o imposto de cada caminho.
  2. Escolha o ponto. Confira na prefeitura se o zoneamento permite consultório no endereço e se a sala comporta o consultório, a espera, o banheiro e a esterilização.
  3. Faça o projeto e orce a obra. Pergunte à vigilância sanitária da cidade o que ela exige antes de quebrar parede.
  4. Orce os equipamentos em três lojas, com a montagem, e combine a entrega para depois da obra.
  5. Peça a licença sanitária e, se abrir empresa, a inscrição no CRO.
  6. Separe o capital de giro antes da inauguração, com a conta da falta de cada mês.
  7. Abra a agenda: perfil no Google, WhatsApp respondido e os primeiros horários livres.

A planilha em PDF acompanha os passos 3, 4 e 6: preencha os orçamentos e veja o total antes de comprar.

Roberto Sousa

Roberto Sousa é engenheiro e empreendedor. Fundou o AgendarSaúde, que coloca uma assistente virtual no WhatsApp de clínicas e consultórios.

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